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Doença mão-pé-boca: cuidar do seu filho no Luxemburgo

Especialidades envolvidas : Pediatra

A doença mão-pé-boca é uma infeção viral muito frequente nas crianças pequenas, causada geralmente por um vírus coxsackie. Provoca pequenas bolhas dentro da boca e nas palmas das mãos e plantas dos pés, acompanhadas de febre geralmente ligeira. É uma doença benigna que cura sozinha em sete a dez dias, mas que circula muito facilmente nas creches. No Luxemburgo, o pediatra é o interlocutor natural quando os sintomas preocupam ou quando a criança recusa comer por causa da dor na boca.

Uma doença comum da creche

Apesar do nome um pouco impressionante, a doença mão-pé-boca não tem nada de exótico nem de grave: atinge sobretudo crianças com menos de cinco anos, muitas vezes em pequenos surtos nas creches e infantários, tanto no verão como no outono. O vírus transmite-se por gotículas respiratórias, saliva e fezes, o que explica a rapidez com que circula entre crianças que ainda levam tudo à boca e não lavam bem as mãos.

O que se observa

Começa muitas vezes com febre ligeira, cansaço e por vezes dor de garganta, como uma constipação vulgar. Em um a dois dias surgem pequenas manchas vermelhas que se transformam em bolhas acinzentadas com um halo vermelho à volta: dentro da boca, na língua e no interior das bochechas, e também nas palmas das mãos, nos dedos, nas plantas dos pés e por vezes nas nádegas. As lesões na boca costumam ser as mais incómodas, tornando a deglutição dolorosa durante dois a três dias. Na pele, as bolhas quase não fazem comichão e desaparecem sem deixar marca.

Comer e beber com a boca dorida

O verdadeiro desafio desta doença são as refeições. Uma criança com dor ao engolir pode beber menos, com risco de desidratação a vigiar. Alguns truques práticos ajudam de verdade:

  • Oferecer alimentos frios ou mornos, nunca quentes, ácidos ou picantes: iogurte, puré de maçã, gelado, sopa morna.
  • Dividir as refeições e os líquidos em pequenas quantidades, com regularidade, em vez de impor grandes volumes de uma só vez.
  • Evitar sumos de citrinos e alimentos estaladiços ou salgados, que irritam as bolhas na boca.
  • Observar as fraldas ou as idas à casa de banho, o melhor indicador de que a criança está bem hidratada.

O pediatra pode propor um analgésico adequado ao peso da criança para tornar as refeições mais suportáveis, dado idealmente pouco antes de comer.

Exclusão da creche: não é automática

Ao contrário do que muitas vezes se pensa, a doença mão-pé-boca nem sempre exige exclusão estrita da creche: o contágio já está a decorrer antes mesmo de as bolhas aparecerem, e muitas estruturas aceitam o regresso assim que a criança se sente bem, está sem febre e consegue participar normalmente nas atividades. A regra exata depende do regulamento de cada creche ou escola; em caso de dúvida, vale a pena confirmar diretamente com a estrutura ou com o pediatra.

O gesto que realmente trava a propagação

O vírus continua presente nas fezes durante várias semanas depois de as bolhas terem sarado, muito depois de os sintomas visíveis desaparecerem. Lavar as mãos — as da criança e as de quem muda a fralda ou limpa o nariz — continua a ser o gesto mais eficaz para travar a transmissão, antes e depois de cada muda, refeição e ida à casa de banho.

Quando consultar

Uma consulta com o pediatra é útil se a criança recusar beber de forma persistente, se a febre durar mais de três dias, se o estado geral piorar, ou simplesmente para confirmar o diagnóstico em caso de dúvida. Deve consultar rapidamente perante sinais claros de desidratação (boca seca, pouca ou nenhuma urina, sonolência marcada), febre muito alta e mal tolerada, ou bolhas que ficam vermelhas, inchadas e dolorosas, sugerindo uma infeção bacteriana. Em caso de dificuldade respiratória, rigidez do pescoço ou letargia invulgar, ligue de imediato para o 112.

No Luxemburgo

O pediatra assegura o acompanhamento habitual das crianças pequenas e é o contacto mais simples para uma infeção tão frequente como esta; fora do horário dos consultórios, as maisons médicales de garde tomam conta. As consultas são comparticipadas pela caixa de saúde segundo as regras habituais do seguro de doença, detalhadas em cns.lu. No Doctipro pode marcar diretamente uma consulta com um pediatra perto de si.

Este conteúdo é meramente informativo e não substitui uma consulta médica. Em caso de dúvida, consulte um médico; em emergência, ligue 112.

Profissionais que o podem ajudar · 11

Perguntas frequentes

Um adulto pode apanhar a doença mão-pé-boca?

É possível, sobretudo um progenitor em contacto próximo com uma criança doente, mas é bastante mais raro do que nas crianças pequenas. Os sintomas nos adultos são geralmente semelhantes, por vezes um pouco mais marcados, e também desaparecem sozinhos em cerca de dez dias.

Durante quanto tempo o meu filho é contagioso?

O risco de contágio é maior na primeira semana, mas o vírus continua a ser eliminado nas fezes durante várias semanas depois de as bolhas desaparecerem. Por isso, lavar as mãos continua a ser útil mesmo depois de a criança parecer totalmente recuperada, sobretudo na muda de fraldas.

É preciso rebentar as bolhas?

Não, as bolhas nunca devem ser rebentadas, quer na pele quer na boca. Secam e desaparecem sozinhas em poucos dias; rebentá-las apenas aumenta o risco de uma infeção bacteriana adicional, sem acelerar a cura.

Pode-se apanhar esta doença mais do que uma vez?

Sim, porque vários vírus diferentes, todos da família dos enterovírus, podem causar este quadro. A imunidade adquirida numa episódio protege contra o vírus específico envolvido, mas não contra as outras estirpes que provocam o mesmo quadro clínico.

As unhas podem ficar afetadas depois?

Sim, este é um fenómeno conhecido: algumas semanas depois da cura, algumas crianças perdem uma ou mais unhas ou apresentam sulcos horizontais nas unhas. É inofensivo e a unha volta a crescer normalmente em poucos meses; o pediatra pode confirmar esta relação em caso de dúvida.