Dr. Tamim SALEM
Perlé Medical Centre 16 Rue de la Chapelle, 8824 Rambrouch, Luxembourg Idioma(s) falado(s) :Francês
Especialidades envolvidas : Pneumologista
A DPOC, ou doença pulmonar obstrutiva crónica, é uma doença respiratória crónica em que os brônquios estreitam progressivamente e deixam passar cada vez menos ar, na maioria das vezes por causa do tabaco. Instala-se ao longo de anos, quase sem ruído, e continua largamente subdiagnosticada: muitas pessoas atribuem a falta de ar à idade ou à falta de treino físico. No Luxemburgo, o médico de família é o primeiro interlocutor, e o pneumologista é o especialista que confirma o diagnóstico através de um exame simples e indolor, a espirometria.
A grande armadilha da DPOC é a sua discrição. Os brônquios não entopem de um dia para o outro: a inflamação causada pelo fumo espessa lentamente as suas paredes, destrói pouco a pouco os pequenos alvéolos onde o oxigénio passa para o sangue, e o corpo vai-se adaptando. Sobe-se as escadas um pouco mais devagar, evita-se carregar as compras, deixa-se de fazer a caminhada de domingo. Cada renúncia parece pouco importante, e o conjunto acaba por parecer um envelhecimento normal.
Mas não é normal. Ficar sem fôlego com esforços que eram fáceis há dois ou três anos não é fatalidade da idade, é um sintoma. É precisamente por este sinal ser banalizado que tantas DPOC só são descobertas tardiamente, quando já se perdeu boa parte do fôlego.
Três manifestações repetem-se quase sempre, isoladas ou combinadas:
As bronquites que se arrastam todos os invernos, ou que se repetem, são outro indício. O perfil típico é o de uma pessoa com mais de 40 anos que fuma ou fumou, mas a doença também atinge antigos fumadores há muito tempo sem fumar e, mais raramente, pessoas expostas a poeiras ou fumos profissionais.
Não se diagnostica DPOC pelo ouvido nem numa radiografia: é preciso medir o fôlego. É essa a função da espirometria, o exame chave da doença. Sentado, com uma pinça no nariz, sopra-se com toda a força e o mais tempo possível para um bocal ligado a um aparelho que mede o volume de ar expirado e a sua velocidade. O exame demora cerca de dez minutos, não dói, e dá uma resposta objetiva: os brônquios estão obstruídos, e em que grau?
É o pneumologista quem realiza e interpreta este exame, por vezes complementado com outros testes do fôlego ou com imagiologia. Se fuma ou fumou e o seu fôlego mudou, pedir uma espirometria é a atitude mais útil que pode ter: ou o tranquiliza, ou permite apanhar a doença numa fase em que ainda há muito a fazer.
O fôlego perdido por causa de uma DPOC não se recupera, mas a velocidade a que se perde, essa, muda. E um único gesto tem um efeito importante nesse rumo: deixar de fumar. Numa pessoa que continua a fumar, o declínio do fôlego acelera; naquela que deixa, aproxima-se do ritmo de um não fumador. Ou seja, nunca é tarde para deixar de fumar: aos 50, 60 ou 70 anos, com uma DPOC ligeira ou já avançada, deixar de fumar trava a doença, reduz a tosse e as agudizações, e melhora a qualidade de vida.
Ninguém diz que é fácil — a dependência do tabaco é uma dependência real, não falta de vontade. Mas não se está sozinho: o médico de família, o pneumologista e os substitutos ou apoios à cessação aumentam claramente as hipóteses de sucesso, e muitas vezes são necessárias várias tentativas até chegar à que resulta. Cada tentativa conta.
Quando a falta de ar se instala, o reflexo natural é mexer-se menos. É o início de um círculo vicioso: menos atividade, menos músculo, ainda mais falta de ar com o mínimo esforço. A reabilitação respiratória quebra esse círculo. Trata-se de um programa acompanhado que associa treino de esforço adaptado, exercícios respiratórios, fisioterapia e educação sobre a doença. Os benefícios estão bem demonstrados: menos falta de ar, mais resistência, menos internamentos, mais ânimo. É prescrita pelo médico e realiza-se com profissionais especializados, mesmo em pessoas muito limitadas pela falta de ar.
O circuito habitual começa no médico de família, que levanta a suspeita e encaminha para um pneumologista para a espirometria e a avaliação. O acompanhamento passa depois a ser partilhado entre os dois, com controlos regulares do fôlego, a vacinação contra a gripe e as infeções respiratórias quando recomendada, e um plano de ação para as agudizações. As consultas, os exames do fôlego e os tratamentos da DPOC são comparticipados pela Caisse nationale de santé segundo as regras habituais; as modalidades estão detalhadas em cns.lu.
Um ponto de atenção: durante uma agudização, se a falta de ar se tornar intensa em repouso, falar se tornar difícil ou os lábios ficarem azulados, trata-se de uma urgência — ligue para o 112.
Este conteúdo é meramente informativo e não substitui uma consulta médica. Em caso de dúvida, consulte um médico; em emergência, ligue 112.
Não. A asma é uma inflamação dos brônquios que evolui por crises, muitas vezes desde a infância, e a obstrução é largamente reversível com tratamento. Na DPOC, a obstrução é permanente e progressiva, quase sempre ligada ao tabaco, e surge depois dos 40 anos. A espirometria permite distinguir as duas, e algumas pessoas têm as duas em simultâneo.
Uma tosse com expetoração que dura meses nunca é banal, mesmo que já se tenha habituado. É o sinal clássico de uma bronquite crónica, que pode evoluir para DPOC. Fale com o médico de família: uma espirometria com o pneumologista dirá em que ponto está o seu fôlego.
O fôlego perdido não volta, mas deixar de fumar reduz fortemente a perda que ainda está por vir: é a medida mais eficaz que existe contra a DPOC, a qualquer idade e fase. Reduz também a tosse, as agudizações e o risco cardiovascular. Mesmo depois de décadas a fumar, deixar de fumar muda o rumo da doença.
A espirometria consiste em soprar com força e durante bastante tempo para um bocal ligado a um aparelho de medição, várias vezes seguidas, sob orientação do pneumologista ou da sua equipa. É indolor e rápida. Basta seguir as indicações dadas na marcação da consulta, por exemplo sobre a toma de certos inaladores antes do exame.
Sim, e é mesmo nesse caso que traz mais benefícios. Os exercícios adaptam-se às capacidades de cada um e progridem em pequenas etapas, com supervisão de profissionais especializados. A falta de ar grave não é uma contraindicação: é mais uma razão para falar com o seu médico ou pneumologista.