Dr. Maryam AGHAYAN
Robert Schuman Hospitals 5 Rue Edward Steichen, 2540 Kirchberg, Luxembourg Idioma(s) falado(s) :Francês
Especialidades envolvidas : Ginecologista
A endometriose é uma doença ginecológica crónica em que um tecido semelhante ao revestimento do útero cresce fora dele — nos ovários, nas trompas, no peritoneu, por vezes na bexiga ou no intestino. Provoca dores menstruais intensas e dores pélvicas crónicas, e pode afetar a fertilidade. No Luxemburgo, o especialista a consultar é o ginecologista, com marcação direta e sem necessidade de referência; é ele quem investiga a doença e organiza o tratamento.
Isto merece ser dito em primeiro lugar, porque se diz pouco. Ter algumas cólicas durante o período é frequente. Faltar todos os meses à escola ou ao trabalho, ficar dobrada de dor apesar dos analgésicos, vomitar de dor ou desmaiar — isso não é «ter o período», é um sintoma. Muitas mulheres ouvem durante anos que «é assim mesmo», que «passa com a idade» ou «depois de ter filhos». O resultado é uma longa errância diagnóstica: entre as primeiras dores e a palavra «endometriose» passam frequentemente vários anos. Essa espera não é inevitável. Encurta-se a partir do momento em que a dor é levada a sério — e isso começa por si, ao marcar uma consulta.
Uma referência simples: se o período a obriga regularmente a mudar os planos — cancelar compromissos, deitar-se, aumentar os analgésicos — fale disso com um ginecologista. Mesmo que o exame venha a ser normal, a pergunta merecia ser feita.
A endometriose não se resume a menstruações dolorosas. Consoante a localização das lesões, os sintomas variam muito de mulher para mulher:
Um pormenor desconcertante: a intensidade da dor não reflete a extensão da doença. Lesões pequenas podem doer muito e formas extensas passar quase despercebidas. Mais uma razão para não se comparar com ninguém e fazer avaliar a sua própria situação.
O ginecologista é a figura central. A consulta começa pelo que mais importa: a sua história. Desde quando dói, em que dias do ciclo, com que intensidade, que impacto tem no trabalho e no dia a dia, que analgésicos toma, se há queixas intestinais ou urinárias associadas. Manter um pequeno diário das dores durante dois ou três ciclos antes da consulta ajuda imenso.
Segue-se o exame ginecológico e, na maioria dos casos, uma ecografia pélvica. Uma ressonância magnética pode ser pedida para mapear lesões profundas. Convém saber: um exame de imagem normal não exclui a doença — as lesões superficiais podem ser invisíveis em todos os exames. O diagnóstico assenta, portanto, no conjunto do quadro clínico, e a cirurgia exploratória deixou de ser um passo obrigatório; discute-se caso a caso. Conforme a situação, o ginecologista trabalha com outros especialistas: radiologista, gastrenterologista, urologista ou uma equipa de medicina da reprodução.
Ainda não existe um tratamento que cure definitivamente a endometriose, mas existem formas eficazes de controlar a dor e viver normalmente. A estratégia constrói-se com o ginecologista, em função dos sintomas, da idade e de um eventual desejo de gravidez:
O tratamento ajusta-se ao longo do tempo: o que serve aos 20 anos sem projeto de filhos não é o que serve aos 32 com desejo de engravidar. O acompanhamento regular faz parte dos cuidados.
No Luxemburgo pode marcar consulta diretamente com um ginecologista, sem passar pelo médico de família — embora este continue a ser um bom primeiro contacto se tiver dúvidas. As consultas, a ecografia, a ressonância e os tratamentos prescritos são comparticipados pela Caisse nationale de santé (CNS), segundo as regras habituais de reembolso. Os casos complexos são orientados para equipas hospitalares com experiência em cirurgia da endometriose. Pode encontrar um ginecologista perto de si e marcar diretamente na Doctipro.
Se saiu de uma consulta com a sensação de não ter sido ouvida, tem todo o direito de pedir uma segunda opinião. Descrever a dor sem a minimizar, levar o diário de sintomas, fazer-se acompanhar por alguém — tudo isso é legítimo. A endometriose é uma doença reconhecida, não uma questão de tolerância à dor. Por fim, uma dor pélvica súbita e invulgar, com febre ou sensação de desmaio, não é assunto para uma consulta marcada: nesse caso, ligue para o 112.
Este conteúdo é meramente informativo e não substitui uma consulta médica. Em caso de dúvida, consulte um médico; em emergência, ligue 112.
Francês
Francês
O critério não é a intensidade sentida, mas o impacto na sua vida. Um período que a faz faltar ao trabalho ou à escola, que não responde aos analgésicos habituais ou que a obriga a ficar de cama não é normal. São motivos válidos para consultar um ginecologista, em qualquer idade.
Não. A endometriose pode dificultar a conceção, mas muitas mulheres afetadas engravidam naturalmente. Se a gravidez tardar, o ginecologista pode pedir um estudo de fertilidade e, se necessário, encaminhá-la para uma equipa de medicina da reprodução.
Sim. As lesões superficiais, em particular, podem ser invisíveis na ecografia e até na ressonância magnética. Se os sintomas forem sugestivos, o ginecologista pode basear o diagnóstico no conjunto do quadro clínico e propor um tratamento de prova. Um exame normal não é razão para desistir de procurar ajuda.
Não. A cirurgia já não é obrigatória para o diagnóstico nem é o tratamento de primeira linha. A maioria das doentes é aliviada primeiro com tratamento hormonal e gestão da dor. A operação discute-se nas formas resistentes ou complicadas, ou em certas situações de fertilidade.
Os sintomas atenuam-se muitas vezes depois da menopausa, porque as lesões respondem às hormonas do ciclo. Mas isso não é motivo para «esperar que passe»: anos de dor não se recuperam, e hoje existem tratamentos eficazes. O acompanhamento ginecológico continua a ser útil, incluindo na fase da menopausa.