Dr. Jean-Louis PAQUAY
Dr. PAQUAY Cardiology Practice 38 Arelerstrooss, 8552 Oberpallen Beckerich, Luxembourg Idioma(s) falado(s) :Francês
Especialidades envolvidas : Cardiologista, Médico de Urgência
Uma dor ou pressão forte no meio do peito, que dura mais do que alguns minutos, que se estende ao braço esquerdo, ao maxilar ou às costas, acompanhada de suores, náuseas ou falta de ar: até prova em contrário, isto é um enfarte do miocárdio. A conduta a seguir não se discute — ligar imediatamente para o 112, sentar-se ou deitar-se, nunca conduzir sozinho até ao hospital e não ingerir nada. Um enfarte acontece quando uma artéria que alimenta o coração se obstrui de repente, privando de oxigénio uma parte do músculo cardíaco; quanto mais cedo a artéria for desobstruída, menores e menos definitivos são os danos. É uma emergência em que os minutos contam, literalmente.
A forma clássica é uma dor central, descrita como aperto, peso ou esmagamento — muitos falam de um "torno" no peito. Não muda com a respiração nem com a posição, não passa com o repouso, e vem frequentemente acompanhada de ansiedade marcada, palidez, suores frios. Pode espalhar-se para o braço esquerdo, os dois braços, o pescoço, o maxilar ou entre as omoplatas. Nalgumas pessoas, nomeadamente diabéticas cujos nervos podem ser menos sensíveis à dor, o enfarte pode passar quase despercebido — daí a importância de nunca desvalorizar um mal-estar invulgar numa pessoa diabética.
O enfarte nem sempre se apresenta com a dor de manual escolar, e desconhecer estas formas atípicas atrasa demasiadas vezes o tratamento. Nas mulheres, os sintomas são mais frequentemente discretos ou enganadores: fadiga intensa e inexplicável nos dias anteriores, falta de ar ao mínimo esforço, náuseas, dor nas costas, no estômago ou no maxilar sem uma dor torácica evidente. Estes sintomas são por vezes erradamente atribuídos a stress ou ansiedade, inclusive pelas próprias mulheres. Qualquer combinação invulgar e súbita destes sinais, sobretudo numa pessoa com fatores de risco cardiovascular, justifica ligar para o 112 sem esperar por "a" dor típica.
Certos elementos aumentam claramente o risco: tabaco, hipertensão arterial, colesterol elevado, diabetes, obesidade, sedentarismo, antecedentes familiares de enfarte precoce e stress crónico. Muitos destes fatores acumulam-se e potenciam-se mutuamente — por isso um seguimento cardiológico regular é particularmente recomendado a partir do momento em que vários se acumulam, mesmo antes do aparecimento de sintomas.
À chegada dos socorros ou ao hospital, é feito um eletrocardiograma em poucos minutos para confirmar o enfarte e localizar a artéria afetada, complementado por uma análise ao sangue que procura marcadores de sofrimento do músculo cardíaco. Consoante os resultados, uma intervenção urgente — na maioria das vezes uma angioplastia, que consiste em reabrir a artéria obstruída com um pequeno balão e colocar depois uma mola (stent) para a manter aberta — é realizada o mais rapidamente possível. Este procedimento, hoje bem dominado, muda radicalmente o prognóstico quando feito cedo.
A alta hospitalar não é o fim do percurso. Um programa de reabilitação cardíaca, orientado por um cardiologista, permite retomar a atividade física de forma progressiva e segura, trabalhando ao mesmo tempo os fatores de risco modificáveis. O seguimento cardiológico regular, deixar de fumar, uma alimentação adequada, a retoma progressiva da atividade física e o cumprimento do tratamento — decidido pelo médico, nunca interrompido ou alterado por iniciativa própria — reduzem claramente o risco de um novo episódio. Muitas pessoas retomam uma vida plenamente ativa depois de um enfarte bem tratado, inclusive profissional e desportiva, mediante autorização do cardiologista.
Em caso de urgência, o 112 encaminha diretamente para o serviço adequado. Fora da urgência, o seguimento cardiológico é feito com um cardiologista, em coordenação com o médico de família. As consultas, os exames cardiológicos e a reabilitação cardíaca são comparticipados pela Caisse nationale de santé segundo as regras habituais de reembolso; os detalhes estão disponíveis em cns.lu.
Este conteúdo é meramente informativo e não substitui uma consulta médica. Em caso de dúvida, consulte um médico; em emergência, ligue 112.
Isso pode ser difícil mesmo para um profissional sem exames, o que justifica uma regra simples: qualquer dor torácica nova, intensa, ou associada a falta de ar, suores ou irradiação para o braço ou maxilar deve ser considerada um possível enfarte e avaliada com urgência pelo 112. É melhor uma chamada "à toa" do que um enfarte não tratado.
Não tome nenhum medicamento por iniciativa própria. Siga apenas as instruções dadas pelo médico regulador ao telefone durante a chamada para o 112: em certos casos pode recomendar um gesto preciso, mas essa decisão é dele, não sua.
As razões exatas continuam em parte debatidas, mas as mulheres apresentam estatisticamente com mais frequência formas sem dor torácica evidente — fadiga, falta de ar, náuseas, dor atípica. Esta diferença atrasou durante muito tempo o diagnóstico; hoje é mais conhecida pelos serviços de urgência, mas continua a ser importante conhecê-la também por conta própria.
A duração varia consoante a gravidade do enfarte e o estado geral, geralmente várias semanas de programa acompanhado. O cardiologista adapta o ritmo e os objetivos a cada situação; o importante é a regularidade, não a rapidez.
É possível, embora mais raro. Um stress intenso, certas perturbações do ritmo, ou causas mais específicas podem estar na origem. É uma das razões pelas quais qualquer dor torácica sugestiva deve ser levada a sério, mesmo numa pessoa considerada "saudável".