Dr. Enrico CESCUTTI
Dr. Enrico Cescutti's Medical Practice 30 Route de Belvaux, 4510 Oberkorn Differdange, Luxembourg Idioma(s) falado(s) :Francês Italiano Luxemburguês
Especialidades envolvidas : Médico generalista
A enxaqueca é uma verdadeira doença neurológica, não uma simples dor de cabeça que se aguenta a cerrar os dentes. Manifesta-se por crises de dor frequentemente pulsátil, de um só lado da cabeça, acompanhadas de náuseas e de intolerância à luz ou ao ruído, que podem durar de algumas horas a três dias. No Luxemburgo, o primeiro interlocutor é o médico de clínica geral, que faz o diagnóstico e inicia o tratamento; o neurologista assume as formas frequentes, atípicas ou resistentes.
Muitas pessoas com enxaqueca passam anos convencidas de que têm «dores de cabeça como toda a gente». Mas a enxaqueca não se parece nada com a cefaleia de tensão do dia a dia, que aperta a cabeça dos dois lados como uma banda, se mantém suportável e raramente impede de continuar as atividades.
A crise de enxaqueca tem uma assinatura reconhecível. A dor pulsa ao ritmo do coração, como marteladas, e concentra-se quase sempre num só lado da cabeça, por vezes atrás do olho. Piora assim que a pessoa se mexe, sobe escadas ou se inclina. E traz companhias que uma dor de cabeça «normal» nunca traz: náuseas ou mesmo vómitos, uma necessidade imperiosa de se deitar num quarto escuro e silencioso, incómodo com a luz (fotofobia) e com o som. Se tem de interromper o que está a fazer, se o ecrã se torna insuportável, se a sua família aprendeu a falar baixo durante as suas crises, é muito provável que se trate de enxaqueca — e isso merece um diagnóstico a sério, não anos de automedicação.
Cerca de uma em cada quatro ou cinco pessoas com enxaqueca tem crises «com aura». Antes da dor, instalam-se progressivamente, ao longo de vários minutos, sintomas neurológicos transitórios: na maioria das vezes visuais — pontos cintilantes, linhas em ziguezague, uma mancha cega que vai alastrando —, por vezes formigueiros que sobem por uma mão ou por um lado do rosto, mais raramente dificuldade em encontrar as palavras. Tudo desaparece por completo em menos de uma hora, e depois começa a dor de cabeça.
A primeira aura pode assustar muito, porque estes sintomas fazem pensar em doenças mais graves. Guarde uma regra simples: a aura da enxaqueca instala-se progressivamente e desaparece sem deixar rasto. Sintomas que surgem de repente, em segundos, ou que persistem, não são uma aura e exigem avaliação médica imediata. Uma vez confirmado o diagnóstico pelo médico, a aura continua a ser desagradável, mas benigna — muitos doentes aprendem a lê-la como o sinal de alarme precoce de uma crise e a tomar logo o tratamento.
Não existe uma lista universal de causas; cada pessoa tem os seus próprios desencadeantes, que muitas vezes se combinam. Os mais frequentes são a falta ou o excesso de sono, o stress — e sobretudo o relaxamento que se lhe segue, daí as clássicas enxaquecas de fim de semana —, saltar refeições, a desidratação, as variações hormonais na mulher, certos alimentos ou o álcool, e as mudanças de tempo.
A melhor ferramenta para os identificar cabe num caderno ou numa aplicação: o diário das crises. Registe, para cada crise, a data, a duração, a intensidade, o que comeu, como dormiu, o que se passou na véspera e se algum medicamento ajudou. Ao fim de algumas semanas, os padrões tornam-se visíveis — e na consulta esse diário vale ouro: confirma o diagnóstico, mostra a verdadeira frequência das crises e orienta a estratégia de tratamento.
O tratamento assenta em dois pilares complementares. O tratamento da crise procura travar a dor: é tanto mais eficaz quanto mais cedo for tomado, aos primeiros sinais, com medicamentos específicos para a enxaqueca que o médico escolhe consoante o seu perfil. O tratamento preventivo, proposto quando as crises se tornam frequentes ou incapacitantes, toma-se diariamente durante vários meses para as espaçar e atenuar. Existem várias classes de medicamentos, e o estilo de vida conta tanto quanto eles: sono regular, refeições a horas certas, atividade física e gestão do stress.
Há uma armadilha que merece ser contada, porque alimenta a própria dor que promete aliviar: a cefaleia por abuso de analgésicos. Tomar analgésicos vários dias por semana durante muito tempo habitua o cérebro, baixa o limiar da dor e instala uma dor de cabeça quase diária — que a pessoa combate com ainda mais comprimidos. Este círculo vicioso é frequente em quem se trata sozinho. Se toma analgésicos mais de oito a dez dias por mês, fale com o seu médico: é precisamente o sinal de que é preciso mudar de estratégia, não aumentar as doses.
Consulte o seu médico de clínica geral se as crises voltam com regularidade, se a frequência ou a intensidade aumentam, se lhe custam dias de trabalho ou tempo em família, ou se recorre cada vez mais aos analgésicos. O neurologista é o passo seguinte, sobretudo a partir de várias crises por mês ou quando há dúvidas no diagnóstico.
Alguns sinais saem por completo do quadro da enxaqueca e obrigam a ligar para o 112: uma dor de cabeça brutal e explosiva, «em trovoada», que atinge o máximo em segundos; uma cefaleia com febre e rigidez da nuca; alterações da fala, fraqueza de um lado do corpo ou confusão que não passa; ou uma primeira dor de cabeça invulgar depois dos 50 anos ou após uma pancada na cabeça.
No Luxemburgo pode consultar diretamente o seu médico de clínica geral, que assegura a grande maioria do acompanhamento da enxaqueca, e ser orientado para um neurologista quando necessário — o acesso ao especialista é livre, sem carta de referência obrigatória. As consultas e os exames prescritos são comparticipados pela Caixa Nacional de Saúde (CNS) nas condições habituais de reembolso. Pode encontrar um médico de clínica geral ou um neurologista perto de si e marcar consulta diretamente no Doctipro.
Este conteúdo é meramente informativo e não substitui uma consulta médica. Em caso de dúvida, consulte um médico; em emergência, ligue 112.
Francês Italiano Luxemburguês
Médecin généraliste - Esthétique
Luxembourg Dental Medical Centre 7a Rue de Bonnevoie, 1260 Luxembourg-Gare, Luxembourg Idioma(s) falado(s) :Francês Inglês
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Francês Árabe Inglês
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Não há um limiar mágico: consulte assim que as crises perturbarem a sua vida, mesmo com uma por mês. A partir de duas a três crises mensais, ou se tomar analgésicos mais de oito dias por mês, vale a pena discutir um tratamento preventivo com o seu médico de clínica geral ou um neurologista.
A queda dos estrogénios pouco antes da menstruação é um desencadeante poderoso em muitas mulheres. Estas enxaquecas menstruais são muitas vezes mais longas e mais resistentes. Refira esse padrão ao médico: um diário das crises com o ciclo ajuda a adaptar o tratamento e, por vezes, a antecipá-lo.
Os ecrãs não causam a doença em si, mas o cansaço visual, o brilho e as sessões longas sem pausas podem desencadear crises em quem já sofre de enxaqueca. Pausas regulares, luminosidade adequada e óculos atualizados reduzem o risco. Durante a crise, a fotofobia torna o ecrã insuportável de qualquer forma.
Não: a aura da enxaqueca é impressionante, mas benigna, desde que um médico tenha confirmado o diagnóstico. Instala-se progressivamente e desaparece em menos de uma hora. Sintomas que surgem bruscamente, persistem ou mudam de natureza exigem, pelo contrário, avaliação urgente — em caso de dúvida, ligue para o 112.
Sim. A enxaqueca existe na criança, muitas vezes com outra cara: crises mais curtas, dor nos dois lados da testa, dores de barriga e vómitos em primeiro plano. Uma criança que se queixa com regularidade da cabeça ou da barriga e precisa de dormir para melhorar deve ser vista pelo pediatra ou pelo médico de clínica geral.