Dr. Jean-Louis PAQUAY
Dr. PAQUAY Cardiology Practice 38 Arelerstrooss, 8552 Oberpallen Beckerich, Luxembourg Idioma(s) falado(s) :Francês
Especialidades envolvidas : Cardiologista
A fibrilhação auricular é a perturbação do ritmo cardíaco mais frequente: o coração bate de forma irregular e muitas vezes demasiado depressa, porque as aurículas — as duas cavidades superiores — são percorridas por uma atividade elétrica caótica em vez de um impulso regular. Muitas pessoas não dão por nada e descobrem-na por acaso, num exame de rotina. No Luxemburgo, é o cardiologista quem confirma o diagnóstico e organiza o tratamento, cujo grande objetivo é prevenir um acidente vascular cerebral (AVC).
Ao contrário das doenças que levam ao médico pelos sintomas, a fibrilhação auricular revela-se muitas vezes de forma fortuita. O médico de família mede o pulso num check-up anual e nota que é irregular. Um eletrocardiograma feito antes de uma operação mostra um traçado estranho. Um relógio inteligente assinala um ritmo anormal. Ou então a consulta era por outro motivo — cansaço, falta de ar atribuída à idade ou à falta de exercício — e o exame põe a arritmia a descoberto.
A explicação é simples: numa boa parte dos doentes, a fibrilhação auricular não provoca qualquer incómodo percetível. O coração bate mal, mas bate, e o organismo acomoda-se em silêncio. É precisamente esse silêncio que torna a doença traiçoeira, porque o risco que ela acarreta não depende do que se sente.
Outras pessoas, pelo contrário, percebem muito bem a sua arritmia. Descrevem palpitações, um coração que bate desordenadamente no peito, que dispara e depois tropeça, sem ritmo reconhecível. Podem juntar-se uma falta de ar invulgar ao esforço, um cansaço que se instala, tonturas ou um desconforto no peito. Os episódios podem durar minutos ou horas, desaparecer sozinhos e voltar mais tarde — fala-se então de fibrilhação paroxística. Nalguns doentes, com o tempo, a arritmia torna-se permanente.
Um ponto tem de ficar claro: uma dor intensa no peito, uma fraqueza súbita de um lado do corpo, uma dificuldade repentina em falar ou uma alteração súbita da visão não são motivo para marcar consulta — são uma emergência. Nessas situações liga-se de imediato para o 112.
Porquê tanta atenção a uma arritmia que muitas vezes nem dói? Porque, quando as aurículas fibrilham, deixam de se contrair eficazmente e o sangue estagna em certas zonas do coração. Ora, sangue parado pode coagular e formar um coágulo. Se esse coágulo sai do coração e viaja até ao cérebro, pode obstruir uma artéria cerebral: é o AVC, a complicação mais temida da fibrilhação auricular.
É por isso que o cardiologista avalia, em cada doente, o risco individual de formação de coágulos, tendo em conta a idade e os outros fatores de saúde. Consoante esse risco, pode propor um tratamento anticoagulante — um medicamento que torna o sangue mais fluido e impede a formação de coágulos. Tomado com regularidade e bem acompanhado, reduz consideravelmente o risco de AVC; em contrapartida, exige vigilância e alguns cuidados com as hemorragias, que o médico explica abertamente. A par da anticoagulação, outros tratamentos procuram abrandar o coração ou restabelecer um ritmo regular, com medicamentos ou com procedimentos realizados em meio cardiológico.
O primeiro elo é frequentemente o médico de família: é ele quem deteta o pulso irregular ou leva a sério o alerta do relógio. A confirmação cabe ao cardiologista, com um eletrocardiograma e, se a arritmia for intermitente, um registo do ritmo durante vinte e quatro horas ou mais. Uma ecografia cardíaca completa habitualmente o estudo, tal como uma análise ao sangue — verifica-se em particular a tiroide, cujo funcionamento excessivo pode favorecer a arritmia.
No Luxemburgo, o acesso ao cardiologista é direto: não é obrigatório passar primeiro pelo médico de família, embora uma carta deste facilite a coordenação do processo. As consultas de cardiologia, os exames do ritmo e o tratamento prescrito são comparticipados pela caixa nacional de saúde (Caisse nationale de santé) segundo as regras habituais de reembolso; os pormenores estão em cns.lu. Uma vez o tratamento instalado, o acompanhamento reparte-se entre o cardiologista e o médico de família, ao ritmo adequado a cada situação.
Receber este diagnóstico assusta, muitas vezes mais do que a doença justifica depois de tratada. A grande maioria das pessoas afetadas leva uma vida perfeitamente normal: trabalho, viagens e atividade física continuam no programa, e o exercício regular e moderado é até encorajado, porque faz parte do que protege o coração.
Alguns gestos do dia a dia têm efeito comprovado sobre a própria arritmia: controlar a tensão arterial, perder peso quando há excesso, reduzir claramente o álcool — que é um desencadeante clássico de episódios —, tratar uma eventual apneia do sono e não fumar. O café, em quantidades razoáveis, não está proibido para a maioria dos doentes. No fim de contas, a regularidade conta mais do que tudo: tomar a medicação todos os dias, mesmo quando não se sente nada, e cumprir as consultas de seguimento. É essa constância discreta, muito mais do que restrições espetaculares, que faz a diferença ao longo dos anos.
Este conteúdo é meramente informativo e não substitui uma consulta médica. Em caso de dúvida, consulte um médico; em emergência, ligue 112.
A arritmia em si raramente é uma emergência, mas favorece a formação de coágulos dentro do coração, que podem provocar um AVC. É esse risco que o tratamento visa em primeiro lugar. Bem acompanhada, a fibrilhação auricular é compatível com uma vida normal.
Em muitos doentes, a fibrilhação auricular não provoca sintomas percetíveis: o coração bate de forma irregular, mas o organismo compensa. É por isso que é tantas vezes descoberta por acaso, num exame de rotina ou num eletrocardiograma feito por outro motivo. A ausência de sintomas não reduz o risco de AVC.
Depende do risco individual de coágulos, que o cardiologista avalia em função da idade e dos outros fatores de saúde. Para muitos doentes, a anticoagulação é de facto um tratamento de longa duração, porque o risco persiste mesmo quando o ritmo volta a ser regular. A decisão toma-se sempre com o médico e é reavaliada regularmente.
Na grande maioria dos casos, sim: a atividade física regular e moderada é até recomendada, porque protege o coração. O cardiologista indica o nível de esforço adequado a cada situação, sobretudo no início do tratamento ou depois de um procedimento.
Não entrar em pânico, mas também não ignorar. Estes alertas não são um diagnóstico, mas justificam uma consulta com o médico de família ou o cardiologista, que confirmará ou excluirá a fibrilhação auricular com um eletrocardiograma — o único exame que decide a questão.