Doctipro Luxemburgo

Glaucoma: rastreio e tratamento no Luxemburgo

Especialidades envolvidas : Oftalmologista

O glaucoma é uma doença crónica do olho que danifica progressivamente o nervo ótico, na maioria dos casos por causa de uma pressão demasiado elevada no interior do olho. Evolui em silêncio durante anos, sem dor e sem alteração percetível da visão, e por isso é conhecido como o « ladrão silencioso da visão ». No Luxemburgo, é o oftalmologista quem faz o rastreio, o acompanhamento e o tratamento do glaucoma, e um exame regular a partir dos 40 anos é a única forma fiável de o detetar antes de a visão ser afetada de forma definitiva.

Porque é que não se sente nada durante anos

O olho produz continuamente um líquido transparente, o humor aquoso, que é drenado através de um sistema natural de escoamento. Quando essa drenagem deixa de funcionar bem, a pressão intraocular sobe e comprime lentamente o nervo ótico — o cabo com cerca de um milhão de fibras que transmite as imagens do olho ao cérebro. As fibras destruídas nunca voltam a crescer.

A armadilha está na forma como a perda se instala. O glaucoma começa por corroer a visão periférica, aquela que perceciona os lados do campo visual. Ora o cérebro compensa muito bem essas zonas em falta: « preenche » os buracos, e cada olho complementa o outro. Uma pessoa pode assim ter perdido uma parte importante do seu campo visual sem dar por nada. Quando começa a esbarrar em obstáculos ou a sentir uma limitação, a doença já está avançada — e o que se perdeu não se recupera.

A forma mais frequente, o glaucoma de ângulo aberto, é totalmente indolor. Existe também uma forma aguda, o glaucoma de ângulo fechado, em que a pressão sobe de repente: olho vermelho e muito doloroso, visão turva, halos à volta das luzes, por vezes náuseas. É uma urgência oftalmológica — fora do horário das consultas, ligue para o 112.

Quem corre mais risco?

O glaucoma pode atingir qualquer pessoa, mas alguns perfis exigem uma vigilância reforçada:

  • a idade: o risco aumenta claramente depois dos 40 anos e continua a crescer com o tempo;
  • os antecedentes familiares: ter um pai, uma mãe ou um irmão com glaucoma aumenta bastante o risco;
  • a miopia elevada, que torna o nervo ótico mais frágil;
  • a diabetes, uma pressão intraocular já elevada, tratamentos prolongados com corticoides, ou origens africanas ou asiáticas consoante a forma de glaucoma.

Se se reconhece num destes perfis, fale com o seu oftalmologista: ele adaptará o ritmo de vigilância à sua situação.

O rastreio regular: a única defesa

Como o glaucoma não avisa, não se pode esperar pelos sintomas. A única maneira de lhe ganhar a corrida é o controlo oftalmológico regular: em regra de dois em dois ou de três em três anos a partir dos 40, mais cedo e com maior frequência quando existem fatores de risco. Um diagnóstico precoce muda tudo: tratado a tempo, o glaucoma estabiliza na grande maioria dos casos e a visão útil é preservada.

Como se passa o exame no oftalmologista?

O rastreio é simples, rápido e indolor. Assenta em três exames complementares:

A medição da tensão ocular

Um aparelho mede a pressão no interior do olho, seja com um leve sopro de ar, seja com um pequeno sensor pousado na córnea depois de uma gota anestesiante. Demora apenas alguns segundos por olho.

O fundo do olho

O médico observa diretamente a cabeça do nervo ótico, a papila, para identificar sinais precoces de sofrimento das fibras nervosas. Este exame é muitas vezes completado por uma imagem que mede a espessura dessas fibras com grande precisão.

O campo visual

Sentado diante de uma cúpula, fixa um ponto central e assinala, com um botão, os pequenos pontos luminosos que perceciona dos lados. Este teste desenha um mapa da sua visão periférica e revela perdas de que não suspeitava.

Tratamentos que travam a progressão

O glaucoma não se cura, mas sabe-se travar ou parar a sua progressão de forma muito eficaz, baixando a pressão intraocular. Existem três grandes abordagens, muitas vezes combinadas ao longo do tempo:

  • os colírios, tratamento de primeira linha: gotas diárias que reduzem a produção de humor aquoso ou melhoram a sua drenagem. Só funcionam com uma utilização verdadeiramente regular, todos os dias, para toda a vida;
  • o laser, realizado em consulta, que estimula a drenagem natural do olho;
  • a cirurgia, reservada às formas resistentes, que cria uma nova via de escoamento para o líquido.

Estes tratamentos protegem a visão que ainda resta; não reparam as fibras já destruídas. É exatamente por isso que o momento do diagnóstico é decisivo.

O percurso no Luxemburgo

No Luxemburgo pode marcar consulta diretamente com um oftalmologista, sem passar pelo médico de família. As consultas, os exames de rastreio e de seguimento e os tratamentos do glaucoma são comparticipados pela Caixa Nacional de Saúde (CNS), nas condições habituais de reembolso. Depois do diagnóstico, o seu oftalmologista define um calendário de controlos — em geral uma a duas vezes por ano — para verificar que a pressão se mantém controlada e o campo visual estável. Pode encontrar um oftalmologista perto de si e marcar consulta diretamente na Doctipro.

Este conteúdo é meramente informativo e não substitui uma consulta médica. Em caso de dúvida, consulte um médico; em emergência, ligue 112.

Profissionais que o podem ajudar · 12

Perguntas frequentes

A partir de que idade devo fazer o rastreio?

Recomenda-se um controlo no oftalmologista de dois em dois ou de três em três anos a partir dos 40 anos. Em caso de antecedentes familiares de glaucoma, miopia elevada ou diabetes, o rastreio começa mais cedo e os controlos são mais frequentes, conforme a indicação do seu oftalmologista.

O glaucoma leva sempre à cegueira?

Não. Detetado e tratado a tempo, o glaucoma estabiliza na grande maioria dos casos e a visão útil é conservada. A cegueira atinge sobretudo os glaucomas descobertos muito tarde ou não tratados, porque as fibras do nervo ótico destruídas não se regeneram.

Qual é a diferença entre glaucoma e catarata?

A catarata é uma opacificação do cristalino: a visão fica enevoada, mas uma operação substitui o cristalino e devolve a vista. O glaucoma atinge o nervo ótico: a perda de visão é definitiva, daí a importância crucial do rastreio precoce. As duas doenças podem coexistir na mesma pessoa.

O tratamento do glaucoma é para toda a vida?

Na maioria dos casos, sim. O glaucoma é uma doença crónica: os colírios usam-se todos os dias, sem interrupção, e mesmo depois de um laser ou de uma cirurgia continua a ser indispensável um seguimento regular no oftalmologista, para garantir que a pressão intraocular se mantém bem controlada.