Dr. Mokhtar KHORCHEF
Cabinet Vade - Psychiatrie & Psychologie 147 Rue de l'Alzette, 4011 Esch-sur-Alzette, Luxembourg Idioma(s) falado(s) :Francês Árabe
Especialidades envolvidas : Psiquiatra, Psicólogo
Dormir mal de vez em quando é normal; passar várias noites por semana acordado há mais de três meses já não é. Nesse caso fala-se de insónia crónica — e trata-se, na maioria das vezes sem comprimidos para dormir. No Luxemburgo, o primeiro passo certo é falar com o médico de família, que procura a causa (stress, ansiedade, depressão, horários por turnos ou outra perturbação do sono) e encaminha, se necessário, por exemplo para a terapia cognitivo-comportamental da insónia. Entretanto, algumas medidas concretas de higiene do sono, aplicadas com constância, já melhoram muitas situações.
A insónia tem várias caras: demorar mais de uma hora a adormecer, acordar a meio da noite sem voltar a dormir, ou abrir os olhos muito antes do despertador. O que conta não é só a noite, mas o dia seguinte: cansaço, irritabilidade, dificuldade de concentração.
Uma insónia passageira acompanha muitas vezes um acontecimento concreto — um exame, uma mudança de casa, um conflito, um luto. É desagradável, mas costuma resolver-se sozinha quando a situação acalma. A referência a reter: quando as dificuldades de sono surgem pelo menos três noites por semana há mais de três meses e pesam no dia a dia, a insónia tornou-se crónica. Nessa fase, alimenta-se muitas vezes a si própria — teme-se a noite ainda antes de ir para a cama — e é altura de consultar em vez de esperar que passe.
O stress e a ansiedade estão claramente à cabeça: uma mente que começa a ruminar à hora de deitar é o inimigo número um do adormecer. A insónia pode também ser sintoma de uma depressão, sobretudo quando toma a forma de despertares muito matinais. Os ecrãs à noite atrasam o sono a dobrar — pela luz e pela estimulação: um feed de notícias ou uma série mantêm o cérebro aceso muito depois de o telemóvel se apagar.
Os ritmos de vida também pesam, e o contexto luxemburguês nem sempre ajuda: longos trajetos transfronteiriços obrigam a acordar muito cedo e roubam horas de sono, e o trabalho por turnos na saúde, na logística ou na restauração desregula o relógio interno. Junte-se o café tardio, o álcool à noite (que ajuda a adormecer mas fragmenta a noite), as dores crónicas, certos medicamentos ou outra perturbação do sono como a apneia, e o problema mantém-se sozinho.
Consulte quando a insónia dura há mais de três meses, quando afeta claramente os seus dias, ou quando surgem outros sinais: humor triste persistente, ansiedade avassaladora, ressonar com pausas respiratórias notadas pelo parceiro, sonolência ao volante.
O médico de família é o primeiro interlocutor. Passa em revista as causas possíveis, verifica a medicação em curso e propõe uma estratégia. Se a ansiedade ou a depressão estiverem em primeiro plano, pode encaminhar para um psiquiatra. Para a insónia crónica em si, a referência é a terapia cognitivo-comportamental da insónia (TCC-I): um trabalho estruturado, ao longo de algumas semanas, que corrige os hábitos e os pensamentos que mantêm as más noites. Os seus efeitos são duradouros, ao contrário dos comprimidos para dormir. Em caso de suspeita de apneia do sono ou de perturbação mais complexa, pode ser proposto um estudo em laboratório do sono.
Esqueça as listas intermináveis de conselhos: alguns princípios, levados a sério, fazem a diferença.
Levante-se todos os dias à mesma hora. É a alavanca mais poderosa — mais do que a hora de deitar. Uma hora de despertar estável, fins de semana incluídos, ressincroniza o relógio interno e faz o sono voltar no momento certo.
Não fique na cama sem dormir. Ao fim de vinte a trinta minutos de olhos abertos, levante-se, faça algo calmo com pouca luz e volte para a cama quando a sonolência regressar. A cama deve continuar associada ao sono, não à ruminação.
Desligue os ecrãs antes de deitar. Idealmente uma hora antes e, sobretudo, nada de telemóvel na cama nem durante os despertares noturnos — ver as horas às três da manhã só alimenta a ansiedade.
Cuidado com a cafeína e o álcool. Nada de café a partir do meio da tarde se for sensível; quanto ao copo à noite, talvez adormeça mais depressa, mas garante uma segunda metade da noite aos pedaços.
Mexa-se durante o dia, à luz natural. Atividade física regular e exposição à luz do dia, sobretudo de manhã, consolidam o sono noturno. Evite apenas o exercício intenso mesmo antes de deitar.
Limite as sestas. Se dorme mal à noite, uma sesta longa à tarde alimenta o círculo vicioso; vinte minutos no máximo, antes das 15 horas.
Quando estas medidas não chegam, a TCC-I continua a ser o tratamento de primeira linha da insónia crónica: restrição do tempo passado na cama, controlo do estímulo, trabalho sobre os pensamentos ansiosos ligados ao sono. Um medicamento pode ser discutido pontualmente com o médico, por curta duração e num quadro preciso — nunca em automedicação prolongada. E se a insónia for o sintoma de outra doença, é essa doença que se trata primeiro: tratada a depressão, tratada a apneia, as noites reparam-se muitas vezes sozinhas.
As consultas com o médico de família e com os médicos especialistas são comparticipadas pela Caixa Nacional de Saúde segundo as regras habituais do seguro de doença, tal como os exames do sono prescritos pelo médico. As condições e os procedimentos estão detalhados no site da CNS.
Este conteúdo é meramente informativo e não substitui uma consulta médica. Em caso de dúvida, consulte um médico; em emergência, ligue 112.
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Não existe um número único: a maioria dos adultos situa-se entre as sete e as nove horas, mas há quem funcione bem com um pouco menos e quem precise de mais. O verdadeiro critério é o dia: se se sente descansado e desperto, a sua quota provavelmente é a certa, mesmo que seja diferente da das pessoas à sua volta. O que deve alertar é o cansaço diurno persistente, não o número de horas em si.
Os comprimidos para dormir podem ajudar durante um período curto, mas não tratam a causa da insónia. Com o tempo, o efeito esbate-se, pode instalar-se uma dependência e a paragem provoca muitas vezes um ressalto de más noites. Alteram também a qualidade do sono e podem causar sonolência e problemas de memória durante o dia. Por isso os médicos reservam-nos para um uso breve e vigiado e privilegiam a terapia cognitivo-comportamental, cujos efeitos persistem depois do fim do tratamento.
Quando as dificuldades de sono — demora a adormecer, despertares noturnos ou acordar demasiado cedo — surgem pelo menos três noites por semana há mais de três meses e afetam os seus dias. Nessa fase, recomenda-se uma consulta, porque a insónia crónica tende a alimentar-se a si própria e raramente desaparece sem acompanhamento.
Primeiro o médico de família: procura a causa, exclui outra perturbação do sono como a apneia e propõe uma estratégia. Consoante a situação, pode encaminhar para um psiquiatra se houver ansiedade ou depressão, para uma terapia cognitivo-comportamental da insónia ou para um laboratório do sono para um estudo mais aprofundado.
Não. Breves despertares noturnos fazem parte do sono normal; a maioria passa despercebida. Tornam-se um problema quando não se volta a adormecer — muitas vezes porque nos preocupamos, olhamos para as horas ou pegamos no telemóvel. Se estes despertares prolongados se repetirem várias noites por semana durante meses, fale com o seu médico.