Olho seco: causas, alívio e oftalmologista no Luxemburgo
Especialidades envolvidas : Oftalmologista
A síndrome do olho seco surge quando as lágrimas são insuficientes em quantidade ou de má qualidade: a superfície do olho deixa de estar bem lubrificada, arde, pica, dá a sensação de areia debaixo da pálpebra e a visão fica por momentos enevoada. Durante muito tempo vista como um problema de pessoas idosas, tornou-se a queixa típica da era dos ecrãs, atingindo em massa quem trabalha ao computador, estuda ou passa as noites ao telemóvel. No Luxemburgo, quando os sintomas voltam apesar dos cuidados de bom senso, o especialista a consultar é o oftalmologista: só ele pode medir o filme lacrimal, examinar as glândulas das pálpebras e procurar uma causa subjacente. A marcação faz-se diretamente, sem necessidade de passar primeiro pelo médico de família.
Porque é que o olho seco está a explodir
A primeira explicação está num gesto em que ninguém repara: o pestanejo. Em condições normais pestanejamos cerca de quinze vezes por minuto, e cada pestanejo espalha uma camada fresca de lágrimas sobre a córnea. Em frente a um ecrã, esse ritmo cai para metade, por vezes mais, e muitos pestanejos ficam incompletos — a pálpebra já não desce até ao fim. As lágrimas evaporam-se então mais depressa do que são renovadas. Oito horas de escritório, depois o telemóvel no sofá à noite, e o olho nunca teve oportunidade de recuperar.
O ambiente interior agrava tudo. Aquecimento no inverno, ar condicionado no verão, a ventilação permanente dos escritórios e dos carros — um cenário familiar para os muitos trabalhadores fronteiriços que passam horas na estrada — secam o ar e, com ele, a superfície do olho. Quem usa lentes de contacto parte em desvantagem: a lente absorve parte das lágrimas e perturba a sua distribuição, o que explica o desconforto tão frequente ao fim do dia.
A idade e as hormonas desempenham por fim o seu papel clássico. A produção de lágrimas diminui naturalmente com os anos, e as mudanças hormonais — sobretudo na menopausa — alteram a composição do filme lacrimal. Alguns medicamentos comuns, como certos antialérgicos ou tratamentos para o humor, também podem secar os olhos: vale a pena referi-lo na consulta.
O paradoxo: olhos que choram podem ser olhos secos
É o sintoma que mais confunde. Muitas pessoas procuram ajuda porque os olhos lacrimejam constantemente — ao vento, ao frio, em frente ao ecrã. A explicação é simples: quando a superfície do olho está irritada pela falta de lubrificação, dispara um lacrimejo reflexo, abundante mas de má qualidade, que lava o olho sem o hidratar de forma duradoura. Olhos que choram não provam, portanto, que está tudo bem; às vezes significam exatamente o contrário. Os outros sinais clássicos são a sensação de grão de areia, o ardor, o cansaço visual ao fim do dia, a sensibilidade à luz e uma visão que se turva e volta a aclarar após alguns pestanejos.
O que funciona mesmo no dia a dia
Adote a regra 20-20-20. A cada vinte minutos de trabalho ao ecrã, olhe durante vinte segundos para um ponto a cerca de seis metros (vinte pés, daí o nome). Não é um truque de revista: a pausa obriga a uma série de pestanejos completos e relaxa os músculos da focagem. Um lembrete discreto no telemóvel ajuda até se tornar automático.
Pestaneje de propósito, e por completo. Algumas vezes por hora, feche bem os olhos durante um ou dois segundos. Parece insignificante, mas é o gesto que repara diretamente o mecanismo que o ecrã desregula.
Humidifique o ambiente. Um humidificador na sala de trabalho ou no quarto, uma taça de água sobre o radiador no inverno, arejar a casa com regularidade: um ar menos seco alivia a superfície do olho sem uma única gota de colírio. Evite também receber o fluxo do ar condicionado ou da ventilação do carro diretamente na cara.
Cuide da higiene das pálpebras. As glândulas situadas no bordo das pálpebras segregam a camada gordurosa que impede as lágrimas de se evaporarem; quando entopem, a secura instala-se. Compressas mornas aplicadas alguns minutos sobre as pálpebras fechadas, seguidas de uma massagem suave do bordo palpebral, fluidificam essas secreções. Feito com regularidade, este ritual simples muda muita coisa.
Reveja o posto de trabalho. Um monitor colocado ligeiramente abaixo da linha dos olhos reduz a superfície ocular exposta ao ar, porque as pálpebras ficam mais fechadas. Aumentar o tamanho da letra diminui o esforço de fixação e, com ele, a queda do pestanejo.
Poupe as lentes de contacto. Respeitar os tempos de uso, planear dias só de óculos e nunca dormir com as lentes limita a secura. Se o desconforto persistir, o tipo de lente pode ser reavaliado com um profissional.
Quando consultar o oftalmologista
Marque consulta se o desconforto voltar todos os dias apesar destas medidas, se os olhos estiverem repetidamente vermelhos, se a visão continuar enevoada ou se as lentes se tornarem insuportáveis. O oftalmologista avalia a quantidade e a estabilidade das lágrimas, examina a córnea e as glândulas das pálpebras e pode recomendar lágrimas artificiais — existem muitas classes, das gotas leves aos géis mais espessos, com ou sem conservantes, e a boa escolha depende precisamente desse exame. Acima de tudo, procura uma causa: blefarite, disfunção das glândulas palpebrais, efeito de um medicamento ou, mais raramente, uma doença geral. Um olho subitamente muito doloroso, vermelho intenso e com baixa de visão não é olho seco: é uma urgência oftalmológica, a observar sem demora — através do 112 fora do horário de abertura, se necessário.
Percurso e reembolso no Luxemburgo
No Luxemburgo pode consultar-se o oftalmologista diretamente, sem referenciação do médico de família. As consultas e os exames da especialidade são comparticipados pela caixa nacional de saúde segundo as regras habituais do seguro de doença; os detalhes estão no site da CNS. As lágrimas artificiais vendidas sem receita ficam em geral a cargo do doente — mais uma razão para pedir aconselhamento médico em vez de multiplicar compras às cegas. Através da Doctipro é possível encontrar um oftalmologista e marcar consulta online em todo o país.
Este conteúdo é meramente informativo e não substitui uma consulta médica. Em caso de dúvida, consulte um médico; em emergência, ligue 112.
Profissionais que o podem ajudar · 12
Dr. Olivier HENCKES
Ophthalmology Medical Practice Esch 4, Rue de l'Ecole, Esch-sur-Alzette, Luxembourg, 4103 Idioma(s) falado(s) :Francês Alemão Luxemburguês
Dr. Emilie COSTANTINI
Médecin spécialiste en Ophtalmologie
Place de l'Étoile Ophthalmology Practice 1, Val Ste. Croix, Belair, Luxembourg, 1371 Idioma(s) falado(s) :Francês Inglês
Manz KLAUS M.
Manz ophthalmology practice 2 Montée de la Chapelle, Remich, Luxembourg Idioma(s) falado(s) :Francês Alemão Inglês
Markus SCHULZE SCHWERING
Dr. Schulze Schwering ophthalmology practice 29-31 Rue Maximilien, 6463 Echternach, Luxembourg Idioma(s) falado(s) :Francês Alemão Inglês
Dr. Hind WEBER-ELOUARDIGHI
Médecin spécialiste en Ophtalmologie
Place de l'Étoile Ophthalmology Practice 1, Val Ste. Croix, Belair, Luxembourg, 1371 Idioma(s) falado(s) :Francês Inglês
Dr. Joyce DOHMER-CHAN
Médecin spécialiste en Ophtalmologie
Place de l'Étoile Ophthalmology Practice 1, Val Ste. Croix, Belair, Luxembourg, 1371 Idioma(s) falado(s) :Francês Inglês
Dr. Francois DUPRAT
Médecin spécialiste en Ophtalmologie
Place de l'Étoile Ophthalmology Practice 1, Val Ste. Croix, Belair, Luxembourg, 1371 Idioma(s) falado(s) :Francês Inglês
Dr. Lukas BISORCA GASSENDORF
Médecin spécialiste en Ophtalmologie
Place de l'Étoile Ophthalmology Practice 1, Val Ste. Croix, Belair, Luxembourg, 1371 Idioma(s) falado(s) :Francês Alemão Italiano Luxemburguês Português Romeno Inglês
Dr. Roger MEDIAVILLA
Médecin spécialiste en Ophtalmologie
Place de l'Étoile Ophthalmology Practice 1, Val Ste. Croix, Belair, Luxembourg, 1371 Idioma(s) falado(s) :Francês Inglês
Dr. Nicoline HYZY
Médecin spécialiste en Ophtalmologie
Place de l'Étoile Ophthalmology Practice 1, Val Ste. Croix, Belair, Luxembourg, 1371 Idioma(s) falado(s) :Francês Alemão Inglês
Perguntas frequentes
O olho seco é grave?
Na grande maioria dos casos, não: é uma condição crónica e incómoda, mas que não ameaça a visão. As formas graves e negligenciadas podem, contudo, danificar a superfície da córnea e alimentar inflamações repetidas. Por isso, um desconforto diário que persiste merece um exame oftalmológico em vez de anos de automedicação — e um tratamento bem escolhido transforma realmente o conforto do dia a dia.
Os ecrãs também podem secar os olhos das crianças?
Sim, o mecanismo é o mesmo dos adultos: diante de um tablet ou de uma consola, a criança pestaneja menos e o filme lacrimal evapora-se. Olhos esfregados, vermelhos ou lacrimejantes depois dos ecrãs devem fazer pensar nisso. Pausas regulares, muito tempo ao ar livre à luz do dia e limites razoáveis de ecrã protegem ao mesmo tempo da secura e da progressão da miopia.
Pode usar-se lágrimas artificiais todos os dias, durante muito tempo?
As lágrimas artificiais foram concebidas para uso regular e prolongado, e muitos doentes aplicam-nas várias vezes por dia durante anos. Duas nuances: em caso de aplicações muito frequentes, as fórmulas sem conservantes são preferíveis, porque os conservantes podem irritar a superfície do olho com o tempo; e se já não consegue passar o dia sem elas, é sinal de que uma causa subjacente deve ser procurada pelo oftalmologista.
O olho seco pode revelar uma doença autoimune?
É possível, mas raro face ao número de pessoas com olhos secos. Algumas doenças autoimunes, nomeadamente a síndrome de Sjögren, associam uma secura ocular marcada a secura da boca e por vezes dores articulares. Quando esse quadro completo está presente, o oftalmologista encaminha para uma avaliação especializada. Uma secura isolada ligada aos ecrãs ou à idade — de longe a situação mais frequente — não tem nada de autoimune.