Dr. Mokhtar KHORCHEF
Cabinet Vade - Psychiatrie & Psychologie 147 Rue de l'Alzette, 4011 Esch-sur-Alzette, Luxembourg Idioma(s) falado(s) :Francês Árabe
Especialidades envolvidas : Psiquiatra, Psicólogo
A perturbação de stress pós-traumático (PSPT) reúne reações que persistem muito depois de se viver ou testemunhar um acontecimento sentido como perigoso, violento ou uma ameaça à vida: um acidente grave, uma agressão, uma catástrofe, um luto repentino, exposição repetida à violência. Ficar em choque nos dias seguintes a um episódio assim é normal; só se fala em perturbação quando essas reações persistem, se intensificam ou invadem o dia a dia semanas depois dos factos. No Luxemburgo, psiquiatras e psicólogos acompanham este tipo de quadro, que tem tratamento, mesmo quando parece já instalado.
A PSPT reconhece-se geralmente por quatro grupos de sintomas, muitas vezes presentes em conjunto. Revivência: memórias intrusivas, imagens ou sensações do episódio que regressam sem serem chamadas, por vezes sob a forma de pesadelos ou flashbacks em que parece reviver-se a cena. Evitamento: evitar lugares, pessoas, conversas ou até pensamentos ligados ao episódio, ao ponto de restringir a vida social ou profissional. Hipervigilância: sobressaltos exagerados, dificuldade em concentrar-se ou dormir, sensação de estar constantemente alerta, como se o perigo pudesse voltar a qualquer momento. E, por fim, alterações de humor e de pensamento: culpa ou vergonha desproporcionadas, perda de interesse por atividades antes apreciadas, dificuldade em sentir emoções positivas.
A PSPT associa-se muitas vezes à guerra ou a catástrofes de grande escala, mas na prática clínica do dia a dia surge com mais frequência depois de um acidente de viação, um acidente de trabalho, uma agressão física ou sexual, ou ao testemunhar violência contra outra pessoa. A exposição repetida, como violência doméstica continuada ou bullying prolongado, pode produzir um quadro semelhante. Não existe um limiar de gravidade que um episódio tenha de atingir para justificar pedir ajuda — o que importa é como a mente e o corpo têm reagido desde então, não a forma como o episódio se compara ao de outra pessoa.
É importante distinguir o choque imediato após um acontecimento traumático, que afeta quase toda a gente e tende a atenuar-se em poucas semanas, da perturbação instalada, que persiste para além de um mês ou pode até surgir tardiamente, por vezes meses depois. Não é sinal de fraqueza nem uma questão de força de vontade: o cérebro fica preso num estado de alerta que já não corresponde à situação real. Quanto mais tempo a perturbação passa sem ser tratada, mais tende a afetar o trabalho, as relações e o sono, o que torna o apoio precoce particularmente útil.
Várias abordagens têm provas sólidas na PSPT, em particular a terapia cognitivo-comportamental centrada no trauma, que ajuda a reprocessar gradualmente a memória traumática num contexto seguro, e o EMDR, uma técnica que usa movimentos oculares guiados para apoiar o mesmo trabalho de reprocessamento. O acompanhamento medicamentoso pode complementar a terapia em algumas situações, sempre decidido caso a caso com o psiquiatra. A escolha da abordagem depende da natureza do episódio, do tempo de evolução da perturbação e das preferências da pessoa, algo que uma primeira consulta ajuda a esclarecer.
A PSPT vem muitas vezes acompanhada de outras dificuldades que vale a pena mencionar numa consulta: problemas de sono marcados, com pesadelos repetidos ou despertares frequentes, irritabilidade invulgar ou explosões de raiva, dificuldade em concentrar-se no trabalho ou nos estudos, e por vezes o recurso ao álcool ou a outras substâncias na tentativa de aliviar a ansiedade a curto prazo. Nada disto são perturbações à parte, mas sim consequências diretas da PSPT, que geralmente melhoram junto com a perturbação principal assim que o tratamento começa. Os familiares notam por vezes estas mudanças antes da própria pessoa, o que pode ser uma oportunidade para abrir a conversa sem julgamento.
Muitas pessoas adiam a consulta por medo de serem julgadas, por culpa, ou por pensarem que devem resolver a situação sozinhas. Consultar um psiquiatra ou psicólogo no Luxemburgo por causa de uma PSPT é uma forma de cuidado como outra qualquer, sem relação com falta de força de caráter. Perante pensamentos negros ou de autoagressão, não se deve esperar: o 112 está disponível em caso de urgência, e falar com um profissional de saúde o mais rapidamente possível faz parte do caminho para melhorar.
As consultas de psiquiatria e de psicologia são reembolsadas segundo as regras do seguro de saúde, com condições que variam consoante o profissional consultado; os detalhes constam do site da CNS. A Doctipro permite encontrar um psiquiatra ou psicólogo no Luxemburgo e marcar consulta online.
Este conteúdo é meramente informativo e não substitui uma consulta médica. Em caso de dúvida, consulte um médico; em emergência, ligue 112.
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Geralmente desenvolve-se no mês seguinte ao episódio, mas também pode surgir de forma tardia, por vezes meses depois, sobretudo se um novo acontecimento reativar a memória.
Sim, terapias centradas no trauma, como a TCC especializada ou o EMDR, levam na maioria dos casos a uma melhoria clara, muitas vezes com resolução duradoura dos sintomas.
O choque imediato afeta quase toda a gente após um episódio violento e tende a atenuar-se em poucas semanas; fala-se em PSPT quando os sintomas persistem para além de um mês ou invadem claramente o dia a dia.
Ambos podem ajudar numa PSPT; o psiquiatra pode ainda avaliar se é necessária medicação, enquanto o psicólogo conduz muitas vezes o trabalho terapêutico a mais longo prazo.
É uma urgência: contactar o 112 de imediato e, em qualquer caso, falar sem demora com um profissional de saúde em vez de ficar sozinho com esses pensamentos.