Dr. Françoise MAUHIN
Perlé Medical Centre 16 Rue de la Chapelle, 8824 Rambrouch, Luxembourg Idioma(s) falado(s) :Francês
Especialidades envolvidas : Dermatologista
Perder entre 50 e 100 cabelos por dia faz parte do ciclo natural do cabelo e não é motivo de preocupação. Fala-se de alopecia quando a queda ultrapassa claramente a renovação e o cabelo vai ficando visivelmente mais ralo. As causas são muitas — hereditariedade, stress, parto, carências nutricionais, doenças autoimunes — e o tratamento certo depende inteiramente da causa. No Luxemburgo, o especialista a consultar é o dermatologista, que examina o couro cabeludo e identifica a origem da queda antes de propor qualquer tratamento.
Cada cabelo vive o seu próprio ciclo: cresce durante vários anos, repousa alguns meses e depois cai, para dar lugar a um novo. Em qualquer momento, uma pequena parte da cabeleira está em fase de queda — é por isso que encontrar cabelos na escova, na almofada ou no ralo do duche é perfeitamente banal. A queda sazonal mais intensa no outono ou na primavera também passa por si própria.
Outros sinais merecem atenção: tufos de cabelo que ficam na mão, um risco que alarga, o couro cabeludo cada vez mais visível à luz, as entradas que recuam ou zonas completamente lisas e sem cabelo que aparecem de repente. Uma queda que dura mais de três meses, ou acompanhada de comichão, vermelhidão ou descamação do couro cabeludo, justifica uma consulta médica em vez de mais um champô «fortificante».
É de longe a causa mais frequente, de origem hormonal e hereditária. No homem, desenha entradas que recuam e uma coroa que rareia; na mulher, torna o cabelo mais ralo no topo da cabeça, preservando a linha da frente. Evolui lentamente, ao longo de anos — e atinge as mulheres muito mais do que se pensa, o que atrasa muitas consultas.
Dois a quatro meses depois de um acontecimento que exigiu muito do organismo — um parto, febre alta, uma cirurgia, um período emocionalmente duro, uma dieta radical — pode surgir uma queda difusa e assustadora. É o eflúvio telógeno: uma grande parte dos folículos entrou ao mesmo tempo na fase de queda. A queda de cabelo depois do parto é o exemplo clássico. A boa notícia: na maioria dos casos é passageira, e o cabelo volta a crescer sozinho quando a causa fica para trás.
A falta de ferro — frequente nas mulheres em idade fértil —, problemas da tiroide ou uma alimentação pobre em proteínas podem traduzir-se em cabelo fino e quebradiço que cai. É exatamente por isso que uma análise ao sangue faz muitas vezes parte da avaliação: corrigir uma carência comprovada funciona; tomar suplementos ao acaso, não.
A alopecia areata provoca placas redondas, lisas e bem delimitadas, no couro cabeludo ou na barba. O sistema imunitário ataca por engano os próprios folículos capilares. A evolução é imprevisível — o cabelo volta a crescer espontaneamente com frequência, mas as recaídas também existem — e justifica acompanhamento dermatológico, inclusive pelo impacto psicológico, muitas vezes subestimado.
A consulta começa com perguntas precisas: desde quando e como começou a queda, os antecedentes familiares, gravidezes, medicamentos em curso, hábitos alimentares. O dermatologista examina depois o couro cabeludo, muitas vezes com um dermatoscópio que amplia os folículos, faz um teste de tração suave e, se necessário, pede análises ao sangue. Nada disto é um pormenor: uma queda reativa, uma carência de ferro, uma alopecia areata e uma calvície hereditária tratam-se de formas completamente diferentes, e um tratamento mal dirigido faz perder tempo precioso — por vezes justamente na fase em que os folículos ainda podiam ser salvos.
Conforme a causa, o plano pode passar por corrigir uma carência, por tratamentos locais ou gerais que travam a queda e estimulam o crescimento, ou simplesmente por paciência informada, quando se espera recuperação espontânea. Um bom médico é também honesto sobre o que é realista: travar a queda e dar densidade, sim; ressuscitar folículos desaparecidos há anos, não.
O mercado da queda de cabelo está cheio de loções, gomas vitamínicas, curas e aparelhos vendidos com fotografias impressionantes de antes e depois. Convém ter presentes duas realidades. Primeiro, o eflúvio telógeno resolve-se quase sempre sozinho: o produto tomado entretanto fica com os louros de um trabalho que foi da natureza. Segundo, nenhum suplemento faz crescer cabelo a quem não tem carência nenhuma. Um produto que promete resultados espetaculares em poucas semanas, seja qual for a causa, é marketing, não é medicina. Esse dinheiro está quase sempre mais bem investido numa consulta que identifique o verdadeiro problema.
No Luxemburgo pode marcar consulta diretamente com um dermatologista, sem precisar de referência — embora o médico de família possa fazer uma primeira avaliação, nomeadamente com análises ao sangue. As consultas médicas e as análises prescritas são comparticipadas pela Caixa Nacional de Saúde (CNS) nas condições habituais de reembolso; os produtos cosméticos e os suplementos alimentares não estão abrangidos. Pode encontrar um dermatologista perto de si e marcar consulta online diretamente na Doctipro.
Este conteúdo é meramente informativo e não substitui uma consulta médica. Em caso de dúvida, consulte um médico; em emergência, ligue 112.
Francês
Cerca de 50 a 100 cabelos por dia, e um pouco mais nos picos sazonais de outono e primavera. O número varia de pessoa para pessoa, e o cabelo comprido parece sempre «mais» no chão. O que conta é uma mudança nítida e duradoura em relação ao que é habitual para si.
Na maioria dos casos, não. A descida brusca das hormonas depois do parto liberta de uma vez os cabelos «retidos» durante a gravidez — é o eflúvio pós-parto. A queda impressiona, mas costuma ser passageira, e o cabelo volta a crescer em alguns meses. Se durar mais de seis meses a um ano, consulte um dermatologista.
Sim. Um stress intenso ou um choque emocional pode desencadear um eflúvio telógeno, com queda difusa dois a quatro meses depois. É por causa deste desfasamento que muita gente nunca liga uma coisa à outra. Esta queda é reativa e, na maior parte dos casos, reversível quando o período difícil passa.
Só quando a queda se deve a uma carência real, confirmada por análises ao sangue. Em quem tem valores normais, não acrescentam nada ao crescimento do cabelo. Antes de gastar dinheiro em curas caras, peça a um médico que identifique a causa da sua queda — é o único passo que conduz a um tratamento útil.
A alopecia androgenética não tem cura, mas pode ser travada e o cabelo ganhar densidade com tratamentos seguidos com regularidade, tanto mais eficazes quanto mais cedo começarem. O dermatologista avalia o estádio da queda e propõe uma estratégia realista, explicando o que cada opção pode — e não pode — oferecer.