Dr. Françoise MAUHIN
Perlé Medical Centre 16 Rue de la Chapelle, 8824 Rambrouch, Luxembourg Idioma(s) falado(s) :Francês
Especialidades envolvidas : Dermatologista, Médico generalista
A sarna, também chamada escabiose, é uma doença de pele muito contagiosa causada por um ácaro microscópico que escava pequenos túneis na camada superficial da pele, provocando uma comichão intensa que piora sobretudo à noite. Não tem absolutamente nada a ver com falta de higiene: atinge todas as famílias, todas as idades, todos os meios sociais. No Luxemburgo, o médico generalista ou o dermatologista confirmam o diagnóstico e receitam o tratamento, que deve abranger toda a família ao mesmo tempo.
Poucas doenças carregam tanto estigma. Muita gente sente vergonha, adia a consulta e evita avisar a escola ou os familiares — e é precisamente assim que o ácaro continua a circular. A verdade é simples: o parasita da sarna não quer saber de quantas vezes a pessoa toma banho. Lavar-se mais não protege nem cura. Casas impecáveis, crianças cuidadas, adultos atentos: a sarna chega a todos, porque se transmite pelo contacto pele com pele prolongado, não pela sujidade.
Dormir na mesma cama, pegar uma criança ao colo, os abraços, os contactos íntimos: são estas as vias habituais de transmissão. Por isso a sarna circula em famílias, casais, creches e lares de idosos. O contágio através de roupa, toalhas ou lençóis é possível, mas tem um papel secundário, porque o ácaro sobrevive pouco tempo longe da pele humana. Um aperto de mão rápido normalmente não chega para transmitir a doença.
O sintoma dominante é a comichão, com um ritmo muito revelador: agrava-se à noite, com o calor da cama, muitas vezes ao ponto de acordar a pessoa ou de impedir o sono. Quando várias pessoas da mesma casa se coçam, sobretudo ao fim do dia, a sarna passa para o topo da lista de suspeitas.
Na pele, as lesões aparecem em zonas bastante típicas: entre os dedos das mãos, nos pulsos, nos cotovelos, à volta do umbigo e da cintura, nas nádegas e, na mulher, à volta do peito. No bebé, as palmas das mãos, as plantas dos pés e até o rosto podem ser atingidos. Veem-se pequenas borbulhas, marcas de coçar e, por vezes, linhas finas acinzentadas: os túneis escavados pelo ácaro. Um pormenor que engana muita gente: depois de um primeiro contágio, a comichão pode demorar várias semanas a aparecer, porque resulta da reação do corpo ao parasita. Ou seja, é possível transmitir a sarna antes de sentir o que quer que seja.
Perante uma comichão noturna persistente, sobretudo se várias pessoas da casa estão afetadas, marque consulta com o seu médico generalista ou diretamente com um dermatologista — no Luxemburgo não é precisa carta de referência para ir ao especialista. O diagnóstico baseia-se sobretudo na observação da pele; o médico pode usar uma lupa ou um dermatoscópio para identificar os túneis e o parasita. Não espere que passe sozinho: a sarna nunca cura espontaneamente, e cada semana de atraso é mais uma semana de contágio.
As consultas e o tratamento receitado são comparticipados pela Caixa Nacional de Saúde (CNS) nas condições habituais de reembolso. Pode encontrar um médico generalista ou um dermatologista perto de si e marcar consulta diretamente na Doctipro.
Esta é a regra de ouro, e ignorá-la é a principal causa de recaídas. O médico receita um tratamento local para aplicar na pele ou um tratamento por via oral, conforme a idade e a situação de cada um. Tratar apenas quem se coça não chega: as pessoas próximas podem já ter o ácaro sem sentirem nada e voltar a contagiar a casa semanas depois. Todas as pessoas que vivem sob o mesmo teto, e também os parceiros íntimos, devem por isso ser tratadas no mesmo dia, por indicação do médico, mesmo sem sintomas.
No mesmo dia trata-se da roupa: peças usadas recentemente, lençóis, fronhas e toalhas vão à máquina a alta temperatura. O que não aguenta lavagem quente pode ficar fechado num saco de plástico durante alguns dias, até o ácaro morrer, ou ser tratado segundo as indicações do médico. Desinfetar a casa toda, de cima a baixo, é desnecessário: longe da pele humana, o ácaro sobrevive pouco tempo.
Boa notícia para a organização da família: depois de um tratamento bem feito, o afastamento é curto. Em geral, a criança pode voltar à escola ou à creche pouco depois do tratamento, seguindo as recomendações do médico, e o mesmo vale para os adultos no trabalho. Avise a escola ou a creche sem vergonha nenhuma: é o gesto que protege as outras famílias, e os profissionais sabem perfeitamente que a sarna nada diz sobre a higiene de uma casa.
Um último ponto para evitar sustos desnecessários: a comichão pode continuar durante duas a quatro semanas depois de um tratamento eficaz. Na maioria dos casos é a reação da pele a acalmar, não um falhanço do tratamento. Se durar mais tempo, piorar ou aparecerem lesões novas, volte ao médico em vez de repetir aplicações por sua conta.
Este conteúdo é meramente informativo e não substitui uma consulta médica. Em caso de dúvida, consulte um médico; em emergência, ligue 112.
Francês
É muito improvável. A sarna transmite-se sobretudo pelo contacto pele com pele prolongado, como dormir na mesma cama ou pegar uma criança ao colo. Um contacto breve, um aperto de mão ou um lugar no autocarro normalmente não chegam, porque o ácaro sobrevive pouco tempo fora da pele.
Não. A sarna não tem qualquer relação com a higiene: o ácaro transmite-se pelo contacto próximo e atinge todos os meios. Lavar-se mais vezes não protege nem cura. Esta ideia errada só atrasa a consulta, quando um tratamento receitado pelo médico resolve o problema rapidamente.
Porque a comichão pode demorar várias semanas a aparecer depois do contágio. Um familiar pode ter o ácaro sem sintomas e voltar a contagiar a criança já tratada. Tratar toda a casa no mesmo dia, por indicação do médico, é a única forma fiável de evitar recaídas.
Em geral, pouco depois de um tratamento bem realizado, seguindo as recomendações do médico. Informe a escola ou a creche para que outros possíveis casos sejam detetados cedo. Não há vergonha nenhuma: a sarna é frequente e nada diz sobre a limpeza de uma família.
Não necessariamente. A comichão pode continuar durante duas a quatro semanas depois de um tratamento eficaz, enquanto a reação da pele acalma. Se durar mais tempo, piorar ou surgirem lesões novas, volte ao seu médico generalista ou dermatologista.