Doctipro Luxemburgo

Varicela: ajudar a criança a passar por ela no Luxemburgo

Especialidades envolvidas : Médico generalista, Pediatra

A varicela é uma doença infecciosa muito contagiosa, causada pelo vírus varicela-zóster, que provoca uma erupção de borbulhas e vesículas acompanhada de comichão intensa. É uma das grandes doenças da infância: a maioria das crianças apanha-a antes dos dez anos, e quase sempre cura sozinha em cerca de dez dias. No Luxemburgo, o pediatra ou o médico generalista é o interlocutor certo para confirmar o diagnóstico, acompanhar a doença e identificar as raras situações que exigem atenção especial.

Reconhecer as borbulhas da varicela

A erupção da varicela tem uma assinatura bastante típica. Tudo começa muitas vezes com febre moderada e algumas manchas vermelhas no tronco ou no couro cabeludo. Em poucas horas, essas manchas transformam-se em pequenas vesículas cheias de um líquido claro, assentes numa base avermelhada — a imagem clássica compara-as a «gotas de orvalho sobre uma pétala de rosa». Depois, as vesículas turvam-se, rebentam e secam em crostas.

O pormenor que distingue a varicela de muitas outras erupções: as borbulhas saem por vagas sucessivas, durante três a cinco dias. Na mesma criança encontram-se, ao mesmo tempo, manchas acabadas de aparecer, vesículas cheias e crostas já formadas. A erupção atinge o tronco, o rosto e o couro cabeludo, e pode chegar ao interior da boca ou à zona genital, o que torna por vezes as refeições ou o banho desconfortáveis. E dá comichão — muitas vezes intensa, que é a verdadeira provação da varicela, tanto para a criança como para os pais.

Um contágio que começa antes das borbulhas

A varicela transmite-se pelas gotículas respiratórias e pelo contacto com o líquido das vesículas. A sua particularidade é que a criança é contagiosa um a dois dias antes de aparecerem as primeiras borbulhas, quando parece apenas constipada ou um pouco cansada. É exatamente por isso que a varicela circula tão depressa nas creches e nas escolas: quando o primeiro caso é identificado, o vírus já teve tempo de se espalhar. A contagiosidade mantém-se depois até todas as lesões estarem em fase de crosta, em geral cinco a sete dias após o início da erupção.

A evolução normal: cerca de dez dias

Na grande maioria dos casos, a varicela segue um percurso previsível. A febre mantém-se moderada e dura dois a três dias. As vagas de borbulhas estendem-se por três a cinco dias, e depois tudo vai secando progressivamente. Ao fim de cerca de dez dias restam apenas crostas, que caem sozinhas sem deixar cicatriz — desde que a criança não as tenha arrancado. Depois da doença, o vírus fica adormecido no organismo: é ele que pode, anos ou décadas mais tarde, acordar sob a forma de zona (herpes-zóster).

Aliviar a comichão sem cometer erros

A verdadeira batalha da varicela é a comichão — e sobretudo o coçar, que infeta as lesões e deixa cicatrizes. Alguns gestos simples ajudam de verdade:

  • Um duche curto, com água morna, uma a duas vezes por dia, com um sabonete suave; secar a pele com toques leves, sem esfregar.
  • Cortar as unhas bem curtas e mantê-las limpas; nos mais pequenos, umas luvas macias ou meias nas mãos durante a noite limitam os estragos.
  • Vestir a criança com roupa larga de algodão e evitar agasalhá-la demasiado: o calor agrava a comichão.
  • Manter a criança em repouso em casa, bem hidratada, com refeições mornas e suaves se a boca estiver atingida.

O médico pode receitar um tratamento local para secar as lesões, ou algo contra a comichão se ela impedir a criança de dormir. Um ponto exige verdadeira prudência: no contexto da varicela, alguns analgésicos e antipiréticos comuns são desaconselhados e podem favorecer complicações. Não dê nada por iniciativa própria contra a febre ou as dores sem confirmar com o médico ou o farmacêutico o que é permitido nesta situação.

Quando consultar, e quem

Para uma varicela típica numa criança saudável, uma consulta com o pediatra ou o generalista chega para confirmar o diagnóstico e orientar os cuidados. Algumas situações justificam, porém, um conselho médico rápido:

  • um bebé com menos de seis meses, ou qualquer bebé cujo estado geral o preocupe;
  • uma mulher grávida que nunca teve varicela nem foi vacinada e esteve em contacto com um caso — deve ligar ao médico sem esperar pelo aparecimento de sintomas;
  • um adulto ou adolescente que nunca teve varicela e desenvolve a doença;
  • borbulhas que ficam vermelhas, quentes, dolorosas ou com pus, sinal de infeção da pele;
  • febre que volta a subir após alguns dias de melhoria, tosse marcada, dificuldade em respirar, sonolência invulgar ou recusa em beber.

As pessoas com defesas imunitárias enfraquecidas, seja qual for a idade, devem igualmente contactar o médico logo após o contacto com um caso de varicela. Em caso de dificuldade respiratória grave ou alteração da consciência, ligue para o 112.

A varicela no adulto, e a ligação com a zona

Apanhada na idade adulta, a varicela é bastante mais dura do que na criança: febre mais alta, erupção mais extensa e risco acrescido de complicações, sobretudo pulmonares. Um adulto que nunca teve a doença e apresenta uma erupção sugestiva deve consultar rapidamente o seu generalista, porque um tratamento antiviral pode ser ponderado nas primeiras horas. Quanto à zona, não é um novo contágio: é a reativação, muitas vezes décadas depois, do vírus que ficou adormecido após a varicela da infância.

O percurso no Luxemburgo

No Luxemburgo, o pediatra acompanha habitualmente os bebés e as crianças pequenas, e o médico generalista trata das crianças mais velhas, dos adolescentes e dos adultos; ambos podem ser consultados diretamente, sem referenciação. As consultas e os tratamentos receitados são comparticipados pela Caixa Nacional de Saúde segundo as regras habituais do seguro de doença, detalhadas no site da CNS. A vacina contra a varicela existe e pode ser discutida com o pediatra consoante a situação da criança ou do adolescente. Na Doctipro, pode marcar diretamente uma consulta com um pediatra ou um médico generalista perto de si.

Este conteúdo é meramente informativo e não substitui uma consulta médica. Em caso de dúvida, consulte um médico; em emergência, ligue 112.

Profissionais que o podem ajudar · 12

Perguntas frequentes

Quanto tempo tem o meu filho de ficar em casa, sem escola nem creche?

Uma criança com varicela é contagiosa até todas as lesões estarem em fase de crosta, ou seja, geralmente cinco a sete dias após o início da erupção. A maioria das creches e escolas pede que a criança fique em casa durante esse período — até porque, nos primeiros dias, ela está muitas vezes cansada e com febre. Verifique as regras da sua instituição e peça ao médico para confirmar o momento do regresso.

É possível apanhar varicela duas vezes?

É raro. Uma primeira varicela deixa, em princípio, uma imunidade duradoura, que protege para a vida na grande maioria dos casos. Existem segundas varicelas muito raras, sobretudo quando o primeiro episódio foi muito discreto ou muito precoce. Em contrapartida, o vírus fica adormecido no organismo e pode reativar-se anos mais tarde sob a forma de zona — o que não é um novo contágio.

Estou grávida e estive em contacto com uma criança com varicela. O que fazer?

Se já teve varicela ou está vacinada, está normalmente protegida, e o seu bebé também. Se nunca a teve, ou em caso de dúvida, ligue ao seu médico ou ginecologista sem esperar pelo aparecimento de sintomas: uma análise ao sangue pode verificar a sua imunidade e, se necessário, pode ser proposta rapidamente uma abordagem preventiva. A varicela durante a gravidez exige um acompanhamento específico, sobretudo no início da gravidez e perto do parto.

Como evitar que a varicela deixe cicatrizes?

As cicatrizes resultam quase sempre do coçar e das lesões infetadas. As melhores armas: unhas bem curtas, duches mornos e curtos com sabonete suave, roupa larga de algodão e um tratamento contra a comichão receitado pelo médico se, mesmo assim, a criança se coçar. Deixe as crostas cair sozinhas, sem nunca as arrancar. Depois de a pele sarar, proteja do sol as zonas ainda rosadas durante alguns meses.

Existe uma vacina contra a varicela?

Sim, a vacina contra a varicela existe e é utilizada há muitos anos. Pode ser proposta a crianças, adolescentes e adultos que nunca tiveram a doença, consoante a situação de cada um. É uma decisão a discutir com o pediatra ou o médico generalista, que avaliará o interesse da vacinação em função da idade, dos antecedentes e do contexto familiar — por exemplo, se vive em casa uma pessoa frágil ou uma mulher grávida.